{"id":611,"date":"2019-03-26T11:47:01","date_gmt":"2019-03-26T14:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/?p=611"},"modified":"2019-03-26T11:47:01","modified_gmt":"2019-03-26T14:47:01","slug":"batizado-do-kilombolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/batizado-do-kilombolas\/","title":{"rendered":"Batizado do kilombolas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha hist\u00f3ria com a capoeira vem de pequeno, eu era super f\u00e3 de Karate Kid (e na minha \u00e9poca quem n\u00e3o era) e era doido para fazer aulas, um dia meu pai chegou em casa a noite e me chamou para sair, n\u00e3o lembro ao certo como foi, mas quando cheguei ao lugar a decep\u00e7\u00e3o, aula de capoeira, aceitei (melhor que nada) e comecei a treinar, em pouco tempo tinha me apaixonado pelo mundo riqu\u00edssimo da capoeira, seus toques, cantigas e o jogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mudei totalmente a minha vis\u00e3o, com o prof. Xar\u00e9u no grupo Arte e mandinga, treinei duro durante mais de um ano, quando chegou no per\u00edodo do batizado e troca de cord\u00e9is meu pai n\u00e3o tinha grana\/n\u00e3o queria pagar (lembro que o custo era muito baixo, mas mesmo assim ele n\u00e3o pagou), ele falava muito que ele treinou muito tempo sem mudar de faixa (ele fez Karat\u00ea), e no dia do evento fui assistir, mas n\u00e3o recebi a minha primeira corda, isso foi muito triste, ainda era uma crian\u00e7a entrando na adolesc\u00eancia e isso me deixou muito chateado, a ponto de sair da capoeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois havia me mudado, morava em outro bairro popular de Salvador e l\u00e1 encontrei outro grupo de capoeira o Kilombolas com o prof. Robocop, l\u00e1 eu treinei durante bastante tempo, agora j\u00e1 com mais discernimento, eu me dedicava mais, visitava mais outras academias e rodas, aprendendo mais sobre a vida e a capoeira atrav\u00e9s dos treinos e da vida do meus prof. e camaradas de grupo, fiquei realmente apaixonado pela capoeira e pelo grupo. Neste per\u00edodo passei pelo ritual de batizado (que \u00e9 quando o capoeira recebe seu nome de capoeira, o meu \u00e9 Vai e vem).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de um tempo, aconteceu o per\u00edodo de troca de cord\u00e9is, e com ele o mesmo problema de falta de dinheiro\/vontade de pagar do meu pai, igualmente a primeira vez,  lembro que fui no evento com a vazia esperan\u00e7a de mesmo sem ter pago eu receber o cordel, mas n\u00e3o foi o que aconteceu, meus amigos, parceiros de treino e etc haviam dado um passo e eu estava estagnado. Depois disso passei a faltar nos treinos, ia pouco e fiquei desmotivado e acabei largando a capoeira novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acabei largando os treinos, na verdade, mas a capoeira nunca me deixou, sempre que ouvia uma m\u00fasica, via uma roda etc, ficava extasiado, acompanhava e perdia o tempo, mas n\u00e3o tinha mais tempo para treinar, estudava a noite, ent\u00e3o fiquei muito tempo sem contato com a capoeira. Quando formei, tratei logo de procurar um lugar para treinar, tentei na academia, mas n\u00e3o foi t\u00e3o legal, eles tinham outros fundamentos, foi ent\u00e3o que resolvi voltar para o grupo que tinha passado mais tempo e o que mais gostava, o Kilombolas, como o meu prof. Robocop n\u00e3o morava mais em Salvador, fui procurar outro um mestre tamb\u00e9m do grupo, foi a\u00ed que encontrei o Mestre Jo\u00e3o do Morro, relutei muito em treinar com ele pela dist\u00e2ncia, mas no fim acabei cedendo, e foi maravilhoso, ele mant\u00e9m um trabalho social de capoeira para os meninos do Garcia, os treinos, a parceria, Mestre Jo\u00e3o \u00e9 um cara aben\u00e7oado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora em Abril ter\u00e1 uma nova troca de cord\u00e9is, desta vez n\u00e3o ser\u00e1 diferente, tamb\u00e9m n\u00e3o pegarei o meu primeiro cordel, estou muito faltante aos treinos devido a problemas do dia a dia e sa\u00fade da minha m\u00e3e, mas desta vez, agora com idade adulta, e diferente do quando era mais jovem, tenho consci\u00eancia que n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e capoeir\u00edsticas de representar algu\u00e9m da corda verde, mas isso n\u00e3o me deixou chateado, isso hoje me motiva a no pr\u00f3ximo estar melhor e realmente merecer a corda, de toda forma estarei l\u00e1 fazendo o que sei fazer bem, ajudar o mestre, dar apoio no evento, cantar, tocar e bater palmas. Hoje vejo que o foco do evento s\u00e3o os meninos do projeto social, se esmerando para virar bons capoeiras e ganhar uma chance na vida t\u00e3o dif\u00edcil que levamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu mestre, \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o leia este texto, mas saiba que se eu jogo capoeira hoje com voc\u00ea \u00e9 pela pessoa maravilhosa que voc\u00ea \u00e9, que se abst\u00e9m de muitas coisas em prol do seu projeto, em que n\u00e3o recebe nada, e mesmo trabalhando com emprego fixo, deixa a sua casa de segunda a sexta para dar aula tentando melhorar a sociedade que estamos inseridos, fora os eventos que voc\u00ea faz. Se eu amo a capoeira, seu entusiasmo e companheirismo tem muita influ\u00eancia nisso. Posso estar passando por problemas agora e tendo dificuldades em treinar, mas Kilombolas \u00e9 minha fam\u00edlia e voc\u00ea \u00e9 o elo que me liga a nossa ancestralidade quando jogamos capoeira. Muito ax\u00e9 mestre e que Olorum lhe aben\u00e7oe para que continue sendo este modelo vivo para mim e para todos os capoeiras que te conhecem e que voc\u00ea inspira. Estamos juntos! Neste batizado, na capoeira e na vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha hist\u00f3ria com a capoeira vem de pequeno, eu era super f\u00e3 de Karate Kid (e na minha \u00e9poca quem n\u00e3o era) e era doido para fazer aulas, um dia meu pai chegou em casa a noite e me chamou para sair, n\u00e3o lembro ao certo como foi, mas quando cheguei ao lugar a decep\u00e7\u00e3o,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":612,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[333],"tags":[336,334,314,335],"class_list":["post-611","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capoeira","tag-ancestralidade","tag-batizado","tag-capoeira","tag-kilombolas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=611"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":621,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/611\/revisions\/621"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.antonioladeia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}